Sandra Cosseti


 

 



Abraço de mãe
Escrito por Ana Cristina on Sáb, 12 de Maio de 2012 08:58   

 

É dia das mães! E como não falar nelas? Impossível! Como vocês sabem, optei por não ser mãe. Acho que o bom senso me impediu de fazê-lo. Em algum momento da vida, olhei para mim e pensei:

- Putz! Como alguém pode querer ser filho de uma pessoa atrapalhada ao ponto de ser incapaz de fechar portas sem batê-las, emocionalmente instável, com uma sensibilidade acima do normal, vegetariana e taróloga?!?!

Eu não sei se gostaria de ter uma mãe assim. Portanto, não impus esse ônus a ninguém! E, olhando para as minhas amigas, sinto que tomei a decisão certa!

Conheço muitas mães e, sob vários aspectos, todas elas são especiais. A minha, por exemplo, lutou contra toda a razão, contra todos os médicos e contra o seu próprio medo para me trazer ao mundo. Uma mulher forte, corajosa e capaz de nos defender ainda hoje, com os seus setenta e dois anos.

Tenho uma amiga que tem três filhos. Isso seria natural, se ela não tivesse sofrido poliomielite na infância e tivesse uma pequena dificuldade para se locomover. Ela também lutou contra a natureza, para realizar o sonho da maternidade. E acho que valeu a pena. Poucas pessoas sabem lidar com os filhos como ela, sempre negociando, incentivando, apoiando e exortando, tudo na medida certa.

Outra amiga, ainda, se submeteu a várias inseminações artificiais para trazer duas crianças lindas e dóceis ao mundo. Enfrentou situações, medos, dores e milhares de outras coisas, apenas para estampar no rosto um par de olhos brilhantes de amor e cuidados.

A minha irmã é uma mãezona! Lava, passa, cozinha, acaricia, ensina, briga, tudo ao mesmo tempo. Parece um polvo cuidando de seus três filhos e, agora, de suas três netas! Sempre disposta, incansável, disponível!

Disponível... essa é a palavra que falta em minha vida. Eu não consigo estar disponível sempre que sou requisitada. Simplesmente não consigo! Já perdi muitas oportunidades na vida, apenas por não estar disponível naquele momento. E isso é inconcebível em uma mãe.

As mães que conheço têm uma reserva inesgotável de disponibilidade. E não falo apenas de disponibilidade física; falo daquela mais importante: a disponibilidade emocional.

Sempre há uma palavra, um carinho, um afeto, um xingamento ou qualquer outra manifestação. Sempre há atenção aos seus filhos. Não importa a situação, elas sempre estão lá por nós: na festinha da escola, na reunião de pais, no pediatra, na primeira menstruação, após as baladas, na primeira dor de cotovelo (e em todas as outras!), na festa de formatura, no casamento, no nascimento de nossos filhos... Sempre! E, quando não podem estar ao nosso lado, deixam um vazio intransponível.

Essa semana mesmo, estávamos conversando sobre isso em nosso grupo de meditação e uma das minhas irmãs de evolução ilustrou bem o que digo. O seu filho mais novo está para prestar o vestibular e, como era de se esperar, entrou em um processo de ansiedade. Quando se percebeu assim, disse a ela:

- Mãe, estou entrando na ansiedade que antecede os momentos decisivos da vida.

Ela, que já havia percebido o que ele estava sentindo, respondeu:

- Venha cá, que eu tenho a cura para isso!

Dizendo isso, o pegou e deu um longo e apertado abraço. Ele, sem entender, perguntou:

- E onde está a cura?

Ela, sabiamente, retrucou:

- Abraço de mãe cura tudo! E ainda faz passar no vestibular!

Ele sorriu, disse que confiava em suas palavras e passou a se sentir melhor.

A minha amiga tem razão: abraço de mãe cura tudo!

Que tal abraçarmos as nossas mães para sentir o que a força do amor é capaz de fazer? Estou certa de que receberemos infinitamente mais do que estamos oferecendo. E o melhor é que todos sairão felizes! Afinal, vocação de mãe é doar sem nada esperar em troca!

Salve todas as mães!

Abraço de mãe
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