|
Escrito por Ana Cristina on Dom, 06 de Maio de 2012 08:58
|
Semana passada, soube que uma amiga está passando por um problema de saúde sério. A gravidade da questão a obrigou a ir para São Paulo, procurar um tratamento mais específico. E como tudo nos chegou de surpresa, ficamos chocados, abalados e perplexos com a situação.
Uma outra amiga tem nos informado sobre o andamento do tratamento. Isso alivia a sensação de impotência, pois, mesmo à distância, estamos acompanhando o caso e fazendo aquilo que podemos.
Mas o que é mesmo que podemos efetivamente fazer para ajudá-la a superar tudo isso e voltar para casa a salvo?
Como alguém já disse, quando o discípulo está pronto, o mestre aparece. Estou lendo a segunda lição do livro “As sete leis espirituais do sucesso”, de Deepak Chopra. E a lição fala da doação, essa atitude maravilhosa da qual nos esquecemos constantemente.
A doação é uma força poderosa, pois ela coloca a vida em movimento. Isso mesmo: doar significa colocar toda a nossa vida em movimento. Quando doamos algo, abrimos espaço para a chegada de mais desse mesmo algo. Então, a equação é simples: o que quer que doemos nos chega novamente, muitas vezes multiplicado. Basta que a intenção seja a de doar, de oferecer algo, desinteressadamente.
O livro traz várias lições preciosas, mas uma, em especial, me chamou a atenção. O autor nos ensina a levarmos sempre um presente quando formos visitar alguém. O presente pode ser qualquer coisa, material ou imaterial. Flores, doces, amor, carinho, atenção, compaixão, solidariedade, abraços, um bilhete, uma bênção, uma prece silenciosa…
Uma prece silenciosa… Quantas preces silenciosas fazemos sem suspeitar o movimento que estamos imprimindo no Universo? Se pararmos para observar, estamos sempre fazendo preces: preciso de uma vaga no estacionamento, obrigada pela vaga que achei; preciso chegar a tempo no lugar marcado, obrigada por ter conseguido cumprir o horário; preciso disso, obrigada por aquilo… e por aí vai.
Mas o que dizer da prece que podemos oferecer ao outro? Eu fiquei imaginando a cena: sou convidada para ir visitar alguém, chego lá e, mentalmente, desejo àquela família tudo de bom. Em seguida, mentalizo pétalas de amor, paz, saúde, prosperidade, união e felicidade saindo do meu coração e se depositando em cada canto da casa. Depois agradeço ao Universo por todas as benesses concedidas, pois tenho certeza de que doei com amor e agora é com o pessoal lá de cima.
Bacana, não? Levando em conta que só podemos oferecer aquilo que trazemos conosco, fazer esse exercício simples poderá nos tornar pessoas melhores. Poderemos descobrir virtudes que não conhecíamos; poderemos decidir cultivar outras tantas, apenas para poder ofertar.
Com essas palavras no coração, resolvi parar por um momento, pensar em minha amiga e, com isso, descobri a única coisa que posso fazer por ela no momento: uma prece. É verdade que eu não posso ir visitá-la; mas, ainda assim, posso oferecer a ela uma prece. Acontece que quem escreve não faz muita coisa silenciosamente. Então, aí vai a prece em alto e bom som mesmo:
- Desejo que uma luz verde, cheia de força e cura, venha do coração de Deus, te envolva carinhosamente e te dê condições de atravessar esse momento da melhor maneira possível. Desejo que o Arcanjo Rafael e seus anjos de cura acampem ao seu redor e te guardem. Desejo que a paz e a tranquilidade de Deus te alcancem neste momento. E, quanto ao mais, todos esperam o seu retorno para continuar iluminando vidas com o seu sorriso franco e aberto.
Que assim seja!
Doar não dói. Vamos iniciar a corrente do bem?
|
|
Section: Colaboradores -
File Under: Sandra Cosseti |
|
|
Escrito por Ana Cristina on Dom, 29 de Abril de 2012 09:12
|
Alguém já percebeu que os livros preciosos sempre nos chegam às mãos quando precisamos deles? Às vezes, estamos em uma livraria, em uma biblioteca ou conversando com um amigo e… pluft… o livro (ou o seu nome) aparece quase como um milagre.
E por falar nisso, outro dia estava relendo um livro que se chama “Onde os milagres acontecem”. Eu acredito em milagres; eles têm a capacidade de reforçar a nossa fé na vida.
Como o título define, o livro fala dos milagres recebidos, vários deles: na estrada, na neve, com anjos, em forma de sinais, de cheiros e de avisos… No entanto, apenas quando estava lendo o livro, percebi a sutileza do título.
Onde será mesmo que os milagres acontecem?
Como eu disse, os livros preciosos nos chegam às mãos quando estamos precisando deles. E eu sempre estou. Todo o meu esforço nessa vida é no sentido de me tornar uma pessoa melhor; um ser humano mais evoluído. Se algumas teorias que circulam por aí estão corretas e se eu continuar como estou, na próxima encarnação volto como ameba. Talvez uma lesma. Na melhor das hipóteses, um caranguejo.
No entanto, mesmo um ser unicelular luta, luta, luta até se tornar pluricelular e mudar a sua forma de vida. E aqui estou eu: um ser em constante luta para dar um passo adiante.
A leitura da vez se chama “As sete leis espirituais do sucesso”, de Deepak Chopra. Abri o livro sem saber o que me esperava e a primeira lição fala da importância do silêncio. O autor ressalta que o silêncio nos coloca em contato com o nosso ser mais profundo, o que nos permite enxergar, claramente, aquilo que desejamos.
Segundo ele, o silêncio, a meditação e o não julgamento são estados de consciência desejáveis, que deveríamos cultivar sempre, sem nos deixar abalar. Difícil, não?
Ele também ensina que o nosso silêncio interior nos coloca em contato com o silêncio do Universo, um local onde tudo é possível. Para realizarmos os nossos desejos, basta acessarmos esse local quieto e depositarmos ali as nossas mais profundas intenções.
E então, os milagres acontecem!
Opa!!! Como eu não vi isso antes?!?! Os milagres acontecem no silêncio do nosso interior. Eles ocorrem quando nos dispomos a parar um pouco, sondar o nosso coração, ouvi-lo e levar a sua mensagem para aquele local sagrado do Cosmos, onde há uma infinidade de possibilidades; onde os milagres são infinitos.
Eles estão lá; basta solicitá-los, criá-los e eles aparecerão em nossa frente, nos deixando perplexos e realizados.
O que são milagres, senão os nossos desejos manifestados diante dos nossos olhos? O que são graças, senão aquilo que julgávamos que jamais receberíamos e, de repente, elas nos aparecem do nada, como uma coincidência?
Coincidência? Como assim?! Houve um pedido, um desejo, uma solicitação. O fato de eles serem atendidos não é coincidência; é benevolência.
Portanto, a partir de hoje, a sugestão é a seguinte: que tal um pouco de silêncio interior duas vezes ao dia, pelo tempo que conseguirmos?
O esforço pode parecer grande, mas, nem de longe, se compara às maravilhas que podemos alcançar.
E então? Quem deseja começar a criar os seus milagres?
|
|
Section: Colaboradores -
File Under: Sandra Cosseti |
|
|
|
Escrito por Ana Cristina on Sáb, 21 de Abril de 2012 08:54
|
Ontem eu assisti ao filme "Sexo sem compromisso". É uma comediazinha romântica daquelas boas para se ver domingo à noite. Nenhuma pretensão; só a de passar o tempo fazendo algo agradável.
O filme, como o título deixa antever, fala de um casal que se compromete a fazer sexo e evitar eventuais vínculos que daí advenham. Bem, esse é o compromisso que eles fazem. Mas, na realidade...
Os americanos sempre tentam passar a ideia de um povo liberal, livre dos valores que os seus pais cultivavam. E nós, assim como o cachorro de Pavlov, tentamos imitar o que os filmes insistem em mostrar.
É mais do que óbvio que o casal do filma acaba por se apaixonar. Mesmo a mulher, a mais resistente à ideia, cai de amores pelo galã que a satisfaz na cama, na mesa e no dia a dia.
E a pergunta é: será que eles, os americanos, de fato, se comportam assim? E nós? ! Queremos relacionamentos assim para a nossa vida?
Não sei.
Aos domingos, além de correr e ver filmes despretensiosos, eu saio com amigos no final da tarde para um lanche e uma boa conversa. Outro dia, estive com um novo integrante do grupo de corrida que, aos poucos, está se chegando a nós. Como era de se esperar, fiz o interrogatório padrão (sou uma ótima investigadora!). E chegamos à conclusão de que ele precisa de um relacionamento sério. Melhor dizendo, ele chegou a esta conclusão. A vida é dele, afinal. Nós só o apoiamos em sua constatação.
Ele saiu de um casamento problemático há um ano e, apesar de ter se livrado de um quilo de problemas, anda se sentindo só. Sua família não mora aqui; ele só tem os amigos que, como sabemos, ficam do lado de fora quando fechamos a porta de casa. Então, de vez em quando, a solidão o assalta.
Isso é natural! Querer um relacionamento também é natural. E mais natural ainda é o fato de eu querer dar uma força nesse sentido!
Portanto, pedi a ele que fizesse um formulário com as características da mulher com a qual ele espera se relacionar.
A sua resposta me chamou a atenção:
- Sandra, eu preciso de uma mulher que esteja disposta a viver um grande amor.
Eu fiquei muda! E olha que para eu ficar muda, precisa de um grande impacto. Mas, desta vez, juro que fiquei passada!
Ele é um carinha de trinta e três anos, um jovem ainda, e já quer viver um grande amor. Quem não quer?
Eu penso que, como ele, haja milhares de pessoas ao redor do mundo desejando exatamente a mesma coisa: viver um grande amor.
O casal do filme fugiu disso até perceber que era inútil; que era isso, exatamente isso, o que eles queriam.
O meu amigo foi honesto, sincero e me disse na lata:
- Eu quero uma mulher para viver um grande amor!
Fico intrigada com o fato de que há tantas pessoas com tal interesse e, ao mesmo tempo, tantas outras sozinhas, sofrendo com a solidão. Não faz sentido.
Pensando sobre isso, me veio a seguinte questão: o que é necessário para se viver um grande amor? Vinícius de Moraes fez um belo poema sobre o tema e deu muitas, muitas dicas sobre os requisitos para fazê-lo.
Amo o poeta! Não ousaria descordar dele. Apenas resumi-lo.
Para se viver um grande amor é preciso disposição e honestidade. Todo o resto vai se encaixando, conforme a música da vida.
|
|
Section: Colaboradores -
File Under: Sandra Cosseti |
|
|
Escrito por Ana Cristina on Sáb, 14 de Abril de 2012 08:45
|
Domingo passado comemoramos a Páscoa. O seu simbolismo me fascina! Um Cristo desfigurado, após um ministério sofrido e um calvário torturante, some de cena para reaparecer, três dias depois, em pleno esplendor. Não é fantástico?!
E por falar em sair de cena e reaparecer transfigurado, esta semana assisti ao filme "A pele que habito". Estou atrasada com os filmes. Na verdade, há algum tempo eu não vou ao cinema. Prefiro o teatro. Mas este foi um filme bastante indicado e resolvi arriscar.
A primeira coisa que me chamou a atenção foi a forma das indicações: "você precisa ver este filme; acho que vai gostar." Nenhuma menção sobre uma eventual história, nada de sinopse, nada da própria impressão sobre o filme.
Só quando o assisti, pude perceber o motivo.
A história é louca, é verdade. Mas o que assusta é que ela é perfeitamente factível e... humana. É difícil admitirmos que nós mesmos, apesar de nos sentirmos chocados com o filme, somos absolutamente capazes de fazer algo ruim. Talvez nem tão ruim quanto o que o personagem do Antonio Banderas fez; mas, ainda assim, ruim.
As coisas se tornam especialmente sombrias quando percebemos que todas as suas ações foram baseadas em uma suposição. Ele não tinha provas da existência de qualquer violência contra a menina que, diga-se de passagem, também tinha lá os seus desequilíbrios. E, de certa forma, foram eles, esses desequilíbrios que deram causa a toda a história.
Vendo o filme, fica a pergunta: quem de nós já não fez, com base em suposições, coisas das quais se arrependeu depois?
- É claro que somos incapazes de fazer algo cruel - pensamos.
Mas em seguida aquele anjinho malvado se coloca em nosso ombro e, sabiamente, questiona:
- Será?! Afinal, não foram vocês, humanos, que crucificaram Cristo?!
E isso nos balança. Duvidamos da nossa boa índole, da nossa altivez, dos bons valores que julgamos cultivar e preservar a qualquer custo. E é terrível constatar isso.
Mas, como eu disse, somos humanos. E ali está uma parte bem escondida de nós, retratada nuamente, cruamente. A sombra trazida à luz, para que olhemos para ela com sinceridade.
Assustador, não?
Mas é assim mesmo: há um lado terrível em cada um de nós, que lutamos, com todas as forças para esconder.
Uma vez mais, Almodóvar nos colocou de frente com a nossa própria loucura, com a nossa própria sujeira e nos convocou:
- Limpe-a. Admita que você também é capaz de fazer algo sórdido, baixo, de forma fria e calculada, quando é ferido.
"Admita a sua loucura; aquela com a qual você lida todos os dias e sobre a qual não ousa conversar; aquela que você jamais vai confessar."
E eu estou aqui até agora, remoendo o filme, passando-o em revista e pensando:
- Por que eu tenho que ver a loucura do Almodóvar, se a minha me espreita a cada dia?
E a resposta é simples: não há loucura alguma no Almodóvar; aquela que está ali na tela é toda minha. Apenas com uma pele diferente.
|
|
Section: Colaboradores -
File Under: Sandra Cosseti |
|
|